
ALS v. PP: os cronógrafos mais belos da atualidade
ALS v. PP: os cronógrafos mais belos da atualidade
com as sensibilidades “à flor da pele” de cada marca o mix é formidável
com as sensibilidades “à flor da pele” de cada marca o mix é formidável
Paulo Rabelo
Paulo Rabelo
14
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min
min
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Não é de hoje que essa questão dos cronógrafos da A. Lange & Söhne e da Patek Philippe ocupa um espaço considerável na minha mente — aliás, essas comparações são feitas desde antes de eu sequer saber que a marca alemã existia. A grosso modo eu tenho uma predileção nítida e veementemente explícita pela ALS, acredito que aqui é o único cenário no qual a ALS não toma a frente de uma forma que eu descarte a Patek. Pelo contrário, é quase uma briga de facas entre as duas. Gosto disso.
Especificamente o foco está nos cronógrafos “puros”, o que quero dizer com isso é que vou olhar no detalhe somente as referências que além de horas, minutos e segundos englobam também a complicação de cronógrafo. Calendários perpétuos, split-seconds e afins não entram nesse mix. É a forma mais pura possível de um chrono. E na minha opinião talvez a forma mais bela também.
As campeãs nessa execução são sem dúvida a alemã noviça e a suíça clássica. A ALS entrou na briga em 1999 enquanto a PP produz esse tipo de relógio desde 1934. Com isso em mente, o relógio em questão da Lange foi introduzido em 2004. Por ser sua própria referência o 1815 Chronograph foi o primeiro “chrono-only” que a maison alemã produziu e essa linha briga de frente com essa mesma linhagem equivalente da Patek.
Frente a frente ficam as referências 1815 da ALS e a 5170 da PP.
Um fato irreverente é que ambos os relógios são tão bonitos, tão bem feitos e tão fiéis às suas propostas de serem os melhores cronógrafos que as marcas podem fazer que não existe um consenso claro de “qual é melhor” ou ao menos “qual é mais bonito” — ambos têm audiências ultra-leais. Ambas estão certas. Eu tenho sim meu preferido mas puramente por uma questão de gosto. No campo da execução é mais fácil entender o que torna um produto superior ao outro, mas no campo da sensação no punho e frio na barriga, não tanto.
Os relógios e suas linhagens
Existem alguns esclarecimentos relevantes pois na verdade a minha referência favorita o ALS 1815 (Gen I) lançado em 2004 foi produzido por pouco tempo e com isso não teve uma sobreposição de produção com o 5170 da Patek — e mesmo que tivesse tido o Lange ainda seria o meu escolhido — mas para que as comparações fiquem as mais justas possíveis vou abordar os relógios nos períodos em que ambos estavam em produção ao mesmo tempo. Essencialmente a ALS de 2004 para cá vem refinando a referência 1815, fazendo com que esses toques segreguem a referência no que chamamos de “gerações”: Gen I (2004-2008), Gen II (2009-2015), Gen III (2015-presente). Como mencionei antes, a minha favorita é a Gen I. Enquanto a Patek além de lançar metais e dials diferentes ao longo dos anos de produção do modelo, ela muda também a referência por completo quando julga necessário, sendo assim: ref. 5070, ref. 5170, ref. 5270.
Focarei no ALS 1815 (Gen III) e no Patek Philippe 5170.
Mas antes: ALS 1815 Chronograph (Gen I), o cronógrafo mais harmonioso que eu já vi
Mesmo sem saber da existência da marca quando lançaram o modelo, hoje em dia seria sem sombra de dúvida o que eu mais gostaria de ter. Ao ponto de considerá-lo um grail e certamente um dia ir atrás da peça. Desde que o vi pela primeira vez foi algo que me cativou instantaneamente, tudo ali e digo tudo, era maravilhoso.

@hairspring
Uma expressão nítida do que é um cronógrafo, a versão em ouro branco é simplesmente sublime. Um dial prateado (feito de prata alemã no caso) com um undertone branco bem marcante, ponteiros em formato “alpha” azulados, com uma escala em taquímetro e os dois pontos absolutamente charmosos:
os subdials em um tom levemente diferente da prata reluzente
possivelmente a fonte mais bonita já feita até hoje
Sobre a fonte, fica evidente que é algo bem alemão. Uma certa sobriedade fria quase calculista. É uma tipografia própria da ALS (eles não divulgam qual é) que é fortemente inspirada em designs históricos — e muito provavelmente por isso invoca uma sensação de familiaridade aristocrática — são linhas nítidas, serifas curtas e bem delineadas. O germânico se faz bem presente deixando explícita a filosofia de design teutônica que a marca aborda tão preeminentemente. Eu olho uma, duas, três vezes e quero continuar olhando. Acho de uma elegância ímpar e de um bom gosto que foge de tudo aquilo com que temos familiaridade na Suíça.

@hairspringwatches
A caixa e o movimento são dois espetáculos à parte. Em particular os lugs me chamam bastante a atenção pois têm um leve “tapering” do início ao fim, são esbeltos e bem curvados fazendo com que a silhueta da caixa siga uma curvatura natural em volta do punho. Isso tudo muito sutilmente. Você não sabe que isso está necessariamente ali até ser explicitamente apontado. É aquele típico caso de “sentir antes de saber”.

@hairspring: diâmetro: 39.5mm | altura 10.8mm | L2L: ~48.4mm | preço médio USD 55-75k
ALS 1815 v PP 5170: deep-dive
Dado que a Gen I do 1815 é minha favorita, ela não é o foco direto do que briga com a Patek. Dito isso seguem os detalhes de cada referência que falarei (com a Gen I no mix para um comparativo de como a referência evoluiu entre suas versões):
Patek Philippe ref. 5170
Possivelmente o cronógrafo mais bonito que a marca já fez. Dentre suas versões não tem uma que claramente toma a frente como mais bela, as duas em particular que eu mais gosto são: 5170R (dial preto e caixa em ouro rosé) e a 5170P (dial degradê azul e caixa em platina). Por sorte tenho um amigo que não só teve a versão em platina, mas já fotografou a versão em ouro rosé também. As belas fotos seguem ao longo do texto.

@alekswatches | diâmetro: 39.4mm | altura: 10.9mm | L2L: ~47-48mm | avg $ usd: 65-75k
O tom mais quente dos metais preciosos combinado com um dial opalino preto já deixa o relógio com uma presença muito notável, mas não de forma ostensiva. Na contramão de algo abrasivo ao olhar o 5170R tem uma elegância muito atemporal, algo esperado vindo de um Patek — mas da melhor forma possível. Quando a PP acerta, é algo que se torna um clássico justamente por ser tão bem executado. É um relógio genuinamente bonito por ser tão equilibrado desde o primeiro olhar.
São alguns elementos-chave no dial, a escrita branca e austera em contraste com o tom preto opalino, os ponteiros em folha (meu formato favorito de todos) e numerais Breguet são o que deixam o relógio com um certo calor. Dão um tom naturalmente chique pelo simples fato de ser impossível dizer algo ao contrário disso. O que realça essa sensação ainda mais é certamente a falta do taquímetro, que por definição adiciona uma certa esportividade em qualquer peça, e nesse caso deixa o relógio apenas como um cronógrafo, sem mais nem menos.
Imagino que deva ser difícil colocar um Patek em ouro rosé com dial preto e adornado pela fonte mais clássica (inclusive presente e pequenina nos subdials) e não sentir algo fabuloso.

@alekswatches
Um ponto de destaque em praticamente todos os Pateks é a caixa. Porém aqui não diria que é exatamente o caso. Nem o bezel nem os lugs têm algo que os torna distintos, seja pelo formato ou seja pela execução — dado que o acabamento polido é o único uniforme no relógio. Imagino que tenha sido uma escolha deliberada deixando a ênfase no dial.
5170P
Foi o relógio que fez a despedida do modelo. Surrealmente bonito. Eu sou fã de pedras preciosas e acho que são super bem-vindas quando são integradas de forma elegante como foram aqui. São treze brilhantes estilo baguete vividamente reluzindo no dial, que por sinal tem um tom degradê azul que se alterna entre azul-turquesa, azul-marinho e preto dependendo da iluminação. Esse estilo “ombré” deixa o relógio com um ar moderno e extremamente elegante, o que cria uma certa esportividade é o fato dos ponteiros não serem mais em formato de folha, e incorporarem lúmen na parte interior: uma junção de elementos que mostram que a PP se mantém afiada e bem capaz de continuar fazendo belíssimas criações.


@alekswatches
Nas duas versões o movimento é o mesmo. O calibre CH 29-535 PS foi o primeiro mecanismo cronógrafo in-house (corda manual) que a marca fez. Considerado um dos movimentos nessa categoria mais refinados da relojoaria moderna, e inquestionavelmente “haute horlogerie”. Não é o pináculo do que a marca consegue fazer — quem leva esse título por exemplo é o 5370P dentre outros — mas é certamente um dos melhores e mais bonitos calibres de cronógrafo do mundo.

@a_collected_man

@alekswatches
Logo que viramos o relógio fica nítido o porquê dessas classificações acima, é realmente algo que gera uma vontade de ficar admirando continuamente. Relevantemente, é de aceitação ampla na indústria que um dos grandes motivos do lançamento desse calibre totalmente in-house se deu por conta do que a ALS vinha fazendo. Antes a Patek usava um calibre feito por outra manufatura, logo, eles precisavam mostrar proeza técnica e sinalizar que se mantinham plenamente capazes de competir com o que tinha de melhor até então.
Porém o que a Lange vem fazendo desde 1999, é o que considero como game-changer.
A. Lange & Söhne ref. 1815 Chronograph
É aqui que de certa forma o jogo muda, ou no mínimo, aquece. Em 2015 entrou em vigor a geração III do modelo (ref. 414.026 e ref. 414.028) e aqui eu não sei qual acho mais bonito. Tanto a versão com dial prata-esbranquiçado quanto a com dial preto são excepcionalmente formosas.



@hairspringwatches
Já tive o prazer de ver ambas em mãos, inclusive já vi a versão em ouro rosé com black-dial também e é igualmente fabulosa. Por foto fica nítida a beleza dos relógios, mas não conseguimos ter uma dimensão do que eles transmitem no metal. Isso foi um divisor de águas completo. Como de costume com a Lange, as peças têm uma robustez muito acima do normal — elas passam uma sensação muito, mas muito sofisticada ao toque. Quando você pega um ALS, o peso do relógio é de algo bem eminente, você sente que tem algo extraordinariamente bem feito em mãos. Não tem como negar, é como vestir um suéter de cashmere puro. A sensação é inegavelmente muito boa e prazerosa.
Sobre a Gen I, a Gen III não teve suas dimensões necessariamente alteradas, mas passa sim uma sensação diferente ao olhar. A geração I ressalta uma impressão mais intimista e compacta, enquanto a geração III transmite mais abertura e modernismo. Foi uma masterclass da Lange em layout e pequenos refinamentos praticamente imperceptíveis, mas que causam uma sensação propriamente diferente aos olhos.

@langepedia - as três gerações começando da esquerda para direita
Desde o primeiro relógio da linha além da fonte e dial no geral serem extremamente bonitos e germânicos, a caixa é um outro fator distintamente sublime. Não exatamente pelo formato redondo e clássico, mas pelo nível de acabamento. Aqui temos o clássico toque da Lange de ter a parte central da caixa escovada, deixando a construção mais complexa e mais interessante ao olhar. Eu não teria um Lange que não seguisse esse padrão. É aqui que novamente sentimos o ar teutônico da filosofia da marca, eu diria que o nível desse escovado está entre os melhores já feitos até hoje.
Em conjunto com os lugs que mantêm o design clássico desde a primeira iteração do relógio, todo pacote aqui evoca de certa forma, um senso muito peculiar e gótico. É um relógio que tem sobriedade e drama ao mesmo tempo. Na versão com dial preto em especial. Por isso não sei qual gosto mais a preta inegavelmente dramática ou a prata mais delicada com detalhes azuis. A cada cinco minutos eu mudo de opinião de qual gosto mais.
Os Pateks são mais quentes e os Langes são mais frios.

@a_collected_man | diâmetro: 39.5mm | altura: ~11mm | L2L: ~48mm | avg $ usd: 65-75k
O que eu não comentei ainda propositalmente foi sobre o movimento do 1815. De antemão: o movimento de cronógrafo mais belo que eu já vi até hoje. Calibre L951.5.
Num universo que somente o Patek existisse realmente não teria por que escolher outro chrono senão o suíço. Porém o que a Lange fez nesse movimento é algo intrinsecamente especial. Tudo é elevado. Do acabamento à arquitetura exuberante.


@hairspringwatches
“O melhor cronógrafo já feito é o Datograph” - Philippe Dufour
(Um adendo: sendo extremamente fiel à fala de Dufour, seus elogios referem-se especificamente ao Datograph, um outro cronógrafo da ALS. Dito isso, o 1815 no nosso caso não é prejudicado, pois seus movimentos são praticamente idênticos.)
Como já comentei algumas vezes Dufour é considerado o relojoeiro vivo mais importante da atualidade, o responsável pelo melhor acabamento do mundo. Novamente pelas palavras do próprio: “o que torna este relógio tão especial é a quantidade de valor extra que você vê na arquitetura do movimento, no acabamento e no design”.
O que me derrete é o fato da Lange fazer questão de incorporar os chatons de ouro em partes extremamente difíceis e peculiares do movimento. Olhem o tamanho das pontes e mesmo assim elas são repletas de parafusos azuis e chatons dourados. Isso dá muito gosto de ver.
“Pegue dez movimentos do catálogo atual de qualquer marca contemporânea, coloque eles do lado de um movimento da Lange e comente honestamente o que você vê” — Dufour. Algo que eu venho dizendo há algum tempo é justamente isso: confie no que seus olhos veem. Esse tipo de qualidade é explicitamente notável e é no mínimo pouco inteligente desmerecer esse tipo de feito em detrimento do nome no dial. Isso precisa ser admirado e celebrado intensamente.

@hairspringwatches
A faceta mais marcante desse movimento contra o do Patek para mim é a arquitetura. Não só na beleza visual do conjunto como um todo mas em especial na profundidade atingida aqui. Esse nível de requinte é pouquíssimo igualado não só pela dificuldade de execução mas pela imaginação. Imagine o que é conceber esse tipo de arquitetura do zero?
E sobre o nível de dificuldade de execução, algo de praxe na ALS é o processo de assembleia duplo dos movimentos. Feito em duas etapas o mesmo essencialmente faz com que cada movimento que saia da fábrica passe pelos seguintes passos: montagem completa, testes, desmontagem, limpeza, toques finais no acabamento e remontagem. Esse tipo de cuidado minimiza imperfeições e garante um nível de cuidado e performance que dificilmente é feito por uma manufatura que não seja de “microescala”.
A PP produz cerca de 70.000 relógios por ano, enquanto a ALS produz cerca de 5.000, é literalmente impossível que ambas as manufaturas executem o mesmo nível de cuidado e excelência por igual. O volume não permite isso.

@hairspringwatches
Em linhas gerais todo o processo com o cronógrafo da ALS é fantástico. Do início ao fim, o calculismo alemão cria um produto que me cativa por inteiro. Não só pelo relógio em mãos mas por toda sua concepção do início ao fim. A peça tem uma frieza gótica irreverente na frente porém um calor envolvido por delicadeza na parte de trás.
É um privilégio ambas as referências existirem:
Como um todo, o conjunto da maison alemã faz a minha referência favorita. Não só me identifico bastante com a estética mas o encanto com o movimento é inegável. Não por isso o Patek não deixa de ser um relógio sublime, em particular nas versões rosé e de platina.
Ambos são belíssimos. Ambos são fantásticos ao acionar o pusher do cronógrafo. Ambos são concebidos para serem fantásticos. E são.
Não é de hoje que essa questão dos cronógrafos da A. Lange & Söhne e da Patek Philippe ocupa um espaço considerável na minha mente — aliás, essas comparações são feitas desde antes de eu sequer saber que a marca alemã existia. A grosso modo eu tenho uma predileção nítida e veementemente explícita pela ALS, acredito que aqui é o único cenário no qual a ALS não toma a frente de uma forma que eu descarte a Patek. Pelo contrário, é quase uma briga de facas entre as duas. Gosto disso.
Especificamente o foco está nos cronógrafos “puros”, o que quero dizer com isso é que vou olhar no detalhe somente as referências que além de horas, minutos e segundos englobam também a complicação de cronógrafo. Calendários perpétuos, split-seconds e afins não entram nesse mix. É a forma mais pura possível de um chrono. E na minha opinião talvez a forma mais bela também.
As campeãs nessa execução são sem dúvida a alemã noviça e a suíça clássica. A ALS entrou na briga em 1999 enquanto a PP produz esse tipo de relógio desde 1934. Com isso em mente, o relógio em questão da Lange foi introduzido em 2004. Por ser sua própria referência o 1815 Chronograph foi o primeiro “chrono-only” que a maison alemã produziu e essa linha briga de frente com essa mesma linhagem equivalente da Patek.
Frente a frente ficam as referências 1815 da ALS e a 5170 da PP.
Um fato irreverente é que ambos os relógios são tão bonitos, tão bem feitos e tão fiéis às suas propostas de serem os melhores cronógrafos que as marcas podem fazer que não existe um consenso claro de “qual é melhor” ou ao menos “qual é mais bonito” — ambos têm audiências ultra-leais. Ambas estão certas. Eu tenho sim meu preferido mas puramente por uma questão de gosto. No campo da execução é mais fácil entender o que torna um produto superior ao outro, mas no campo da sensação no punho e frio na barriga, não tanto.
Os relógios e suas linhagens
Existem alguns esclarecimentos relevantes pois na verdade a minha referência favorita o ALS 1815 (Gen I) lançado em 2004 foi produzido por pouco tempo e com isso não teve uma sobreposição de produção com o 5170 da Patek — e mesmo que tivesse tido o Lange ainda seria o meu escolhido — mas para que as comparações fiquem as mais justas possíveis vou abordar os relógios nos períodos em que ambos estavam em produção ao mesmo tempo. Essencialmente a ALS de 2004 para cá vem refinando a referência 1815, fazendo com que esses toques segreguem a referência no que chamamos de “gerações”: Gen I (2004-2008), Gen II (2009-2015), Gen III (2015-presente). Como mencionei antes, a minha favorita é a Gen I. Enquanto a Patek além de lançar metais e dials diferentes ao longo dos anos de produção do modelo, ela muda também a referência por completo quando julga necessário, sendo assim: ref. 5070, ref. 5170, ref. 5270.
Focarei no ALS 1815 (Gen III) e no Patek Philippe 5170.
Mas antes: ALS 1815 Chronograph (Gen I), o cronógrafo mais harmonioso que eu já vi
Mesmo sem saber da existência da marca quando lançaram o modelo, hoje em dia seria sem sombra de dúvida o que eu mais gostaria de ter. Ao ponto de considerá-lo um grail e certamente um dia ir atrás da peça. Desde que o vi pela primeira vez foi algo que me cativou instantaneamente, tudo ali e digo tudo, era maravilhoso.

@hairspring
Uma expressão nítida do que é um cronógrafo, a versão em ouro branco é simplesmente sublime. Um dial prateado (feito de prata alemã no caso) com um undertone branco bem marcante, ponteiros em formato “alpha” azulados, com uma escala em taquímetro e os dois pontos absolutamente charmosos:
os subdials em um tom levemente diferente da prata reluzente
possivelmente a fonte mais bonita já feita até hoje
Sobre a fonte, fica evidente que é algo bem alemão. Uma certa sobriedade fria quase calculista. É uma tipografia própria da ALS (eles não divulgam qual é) que é fortemente inspirada em designs históricos — e muito provavelmente por isso invoca uma sensação de familiaridade aristocrática — são linhas nítidas, serifas curtas e bem delineadas. O germânico se faz bem presente deixando explícita a filosofia de design teutônica que a marca aborda tão preeminentemente. Eu olho uma, duas, três vezes e quero continuar olhando. Acho de uma elegância ímpar e de um bom gosto que foge de tudo aquilo com que temos familiaridade na Suíça.

@hairspringwatches
A caixa e o movimento são dois espetáculos à parte. Em particular os lugs me chamam bastante a atenção pois têm um leve “tapering” do início ao fim, são esbeltos e bem curvados fazendo com que a silhueta da caixa siga uma curvatura natural em volta do punho. Isso tudo muito sutilmente. Você não sabe que isso está necessariamente ali até ser explicitamente apontado. É aquele típico caso de “sentir antes de saber”.

@hairspring: diâmetro: 39.5mm | altura 10.8mm | L2L: ~48.4mm | preço médio USD 55-75k
ALS 1815 v PP 5170: deep-dive
Dado que a Gen I do 1815 é minha favorita, ela não é o foco direto do que briga com a Patek. Dito isso seguem os detalhes de cada referência que falarei (com a Gen I no mix para um comparativo de como a referência evoluiu entre suas versões):
Patek Philippe ref. 5170
Possivelmente o cronógrafo mais bonito que a marca já fez. Dentre suas versões não tem uma que claramente toma a frente como mais bela, as duas em particular que eu mais gosto são: 5170R (dial preto e caixa em ouro rosé) e a 5170P (dial degradê azul e caixa em platina). Por sorte tenho um amigo que não só teve a versão em platina, mas já fotografou a versão em ouro rosé também. As belas fotos seguem ao longo do texto.

@alekswatches | diâmetro: 39.4mm | altura: 10.9mm | L2L: ~47-48mm | avg $ usd: 65-75k
O tom mais quente dos metais preciosos combinado com um dial opalino preto já deixa o relógio com uma presença muito notável, mas não de forma ostensiva. Na contramão de algo abrasivo ao olhar o 5170R tem uma elegância muito atemporal, algo esperado vindo de um Patek — mas da melhor forma possível. Quando a PP acerta, é algo que se torna um clássico justamente por ser tão bem executado. É um relógio genuinamente bonito por ser tão equilibrado desde o primeiro olhar.
São alguns elementos-chave no dial, a escrita branca e austera em contraste com o tom preto opalino, os ponteiros em folha (meu formato favorito de todos) e numerais Breguet são o que deixam o relógio com um certo calor. Dão um tom naturalmente chique pelo simples fato de ser impossível dizer algo ao contrário disso. O que realça essa sensação ainda mais é certamente a falta do taquímetro, que por definição adiciona uma certa esportividade em qualquer peça, e nesse caso deixa o relógio apenas como um cronógrafo, sem mais nem menos.
Imagino que deva ser difícil colocar um Patek em ouro rosé com dial preto e adornado pela fonte mais clássica (inclusive presente e pequenina nos subdials) e não sentir algo fabuloso.

@alekswatches
Um ponto de destaque em praticamente todos os Pateks é a caixa. Porém aqui não diria que é exatamente o caso. Nem o bezel nem os lugs têm algo que os torna distintos, seja pelo formato ou seja pela execução — dado que o acabamento polido é o único uniforme no relógio. Imagino que tenha sido uma escolha deliberada deixando a ênfase no dial.
5170P
Foi o relógio que fez a despedida do modelo. Surrealmente bonito. Eu sou fã de pedras preciosas e acho que são super bem-vindas quando são integradas de forma elegante como foram aqui. São treze brilhantes estilo baguete vividamente reluzindo no dial, que por sinal tem um tom degradê azul que se alterna entre azul-turquesa, azul-marinho e preto dependendo da iluminação. Esse estilo “ombré” deixa o relógio com um ar moderno e extremamente elegante, o que cria uma certa esportividade é o fato dos ponteiros não serem mais em formato de folha, e incorporarem lúmen na parte interior: uma junção de elementos que mostram que a PP se mantém afiada e bem capaz de continuar fazendo belíssimas criações.


@alekswatches
Nas duas versões o movimento é o mesmo. O calibre CH 29-535 PS foi o primeiro mecanismo cronógrafo in-house (corda manual) que a marca fez. Considerado um dos movimentos nessa categoria mais refinados da relojoaria moderna, e inquestionavelmente “haute horlogerie”. Não é o pináculo do que a marca consegue fazer — quem leva esse título por exemplo é o 5370P dentre outros — mas é certamente um dos melhores e mais bonitos calibres de cronógrafo do mundo.

@a_collected_man

@alekswatches
Logo que viramos o relógio fica nítido o porquê dessas classificações acima, é realmente algo que gera uma vontade de ficar admirando continuamente. Relevantemente, é de aceitação ampla na indústria que um dos grandes motivos do lançamento desse calibre totalmente in-house se deu por conta do que a ALS vinha fazendo. Antes a Patek usava um calibre feito por outra manufatura, logo, eles precisavam mostrar proeza técnica e sinalizar que se mantinham plenamente capazes de competir com o que tinha de melhor até então.
Porém o que a Lange vem fazendo desde 1999, é o que considero como game-changer.
A. Lange & Söhne ref. 1815 Chronograph
É aqui que de certa forma o jogo muda, ou no mínimo, aquece. Em 2015 entrou em vigor a geração III do modelo (ref. 414.026 e ref. 414.028) e aqui eu não sei qual acho mais bonito. Tanto a versão com dial prata-esbranquiçado quanto a com dial preto são excepcionalmente formosas.



@hairspringwatches
Já tive o prazer de ver ambas em mãos, inclusive já vi a versão em ouro rosé com black-dial também e é igualmente fabulosa. Por foto fica nítida a beleza dos relógios, mas não conseguimos ter uma dimensão do que eles transmitem no metal. Isso foi um divisor de águas completo. Como de costume com a Lange, as peças têm uma robustez muito acima do normal — elas passam uma sensação muito, mas muito sofisticada ao toque. Quando você pega um ALS, o peso do relógio é de algo bem eminente, você sente que tem algo extraordinariamente bem feito em mãos. Não tem como negar, é como vestir um suéter de cashmere puro. A sensação é inegavelmente muito boa e prazerosa.
Sobre a Gen I, a Gen III não teve suas dimensões necessariamente alteradas, mas passa sim uma sensação diferente ao olhar. A geração I ressalta uma impressão mais intimista e compacta, enquanto a geração III transmite mais abertura e modernismo. Foi uma masterclass da Lange em layout e pequenos refinamentos praticamente imperceptíveis, mas que causam uma sensação propriamente diferente aos olhos.

@langepedia - as três gerações começando da esquerda para direita
Desde o primeiro relógio da linha além da fonte e dial no geral serem extremamente bonitos e germânicos, a caixa é um outro fator distintamente sublime. Não exatamente pelo formato redondo e clássico, mas pelo nível de acabamento. Aqui temos o clássico toque da Lange de ter a parte central da caixa escovada, deixando a construção mais complexa e mais interessante ao olhar. Eu não teria um Lange que não seguisse esse padrão. É aqui que novamente sentimos o ar teutônico da filosofia da marca, eu diria que o nível desse escovado está entre os melhores já feitos até hoje.
Em conjunto com os lugs que mantêm o design clássico desde a primeira iteração do relógio, todo pacote aqui evoca de certa forma, um senso muito peculiar e gótico. É um relógio que tem sobriedade e drama ao mesmo tempo. Na versão com dial preto em especial. Por isso não sei qual gosto mais a preta inegavelmente dramática ou a prata mais delicada com detalhes azuis. A cada cinco minutos eu mudo de opinião de qual gosto mais.
Os Pateks são mais quentes e os Langes são mais frios.

@a_collected_man | diâmetro: 39.5mm | altura: ~11mm | L2L: ~48mm | avg $ usd: 65-75k
O que eu não comentei ainda propositalmente foi sobre o movimento do 1815. De antemão: o movimento de cronógrafo mais belo que eu já vi até hoje. Calibre L951.5.
Num universo que somente o Patek existisse realmente não teria por que escolher outro chrono senão o suíço. Porém o que a Lange fez nesse movimento é algo intrinsecamente especial. Tudo é elevado. Do acabamento à arquitetura exuberante.


@hairspringwatches
“O melhor cronógrafo já feito é o Datograph” - Philippe Dufour
(Um adendo: sendo extremamente fiel à fala de Dufour, seus elogios referem-se especificamente ao Datograph, um outro cronógrafo da ALS. Dito isso, o 1815 no nosso caso não é prejudicado, pois seus movimentos são praticamente idênticos.)
Como já comentei algumas vezes Dufour é considerado o relojoeiro vivo mais importante da atualidade, o responsável pelo melhor acabamento do mundo. Novamente pelas palavras do próprio: “o que torna este relógio tão especial é a quantidade de valor extra que você vê na arquitetura do movimento, no acabamento e no design”.
O que me derrete é o fato da Lange fazer questão de incorporar os chatons de ouro em partes extremamente difíceis e peculiares do movimento. Olhem o tamanho das pontes e mesmo assim elas são repletas de parafusos azuis e chatons dourados. Isso dá muito gosto de ver.
“Pegue dez movimentos do catálogo atual de qualquer marca contemporânea, coloque eles do lado de um movimento da Lange e comente honestamente o que você vê” — Dufour. Algo que eu venho dizendo há algum tempo é justamente isso: confie no que seus olhos veem. Esse tipo de qualidade é explicitamente notável e é no mínimo pouco inteligente desmerecer esse tipo de feito em detrimento do nome no dial. Isso precisa ser admirado e celebrado intensamente.

@hairspringwatches
A faceta mais marcante desse movimento contra o do Patek para mim é a arquitetura. Não só na beleza visual do conjunto como um todo mas em especial na profundidade atingida aqui. Esse nível de requinte é pouquíssimo igualado não só pela dificuldade de execução mas pela imaginação. Imagine o que é conceber esse tipo de arquitetura do zero?
E sobre o nível de dificuldade de execução, algo de praxe na ALS é o processo de assembleia duplo dos movimentos. Feito em duas etapas o mesmo essencialmente faz com que cada movimento que saia da fábrica passe pelos seguintes passos: montagem completa, testes, desmontagem, limpeza, toques finais no acabamento e remontagem. Esse tipo de cuidado minimiza imperfeições e garante um nível de cuidado e performance que dificilmente é feito por uma manufatura que não seja de “microescala”.
A PP produz cerca de 70.000 relógios por ano, enquanto a ALS produz cerca de 5.000, é literalmente impossível que ambas as manufaturas executem o mesmo nível de cuidado e excelência por igual. O volume não permite isso.

@hairspringwatches
Em linhas gerais todo o processo com o cronógrafo da ALS é fantástico. Do início ao fim, o calculismo alemão cria um produto que me cativa por inteiro. Não só pelo relógio em mãos mas por toda sua concepção do início ao fim. A peça tem uma frieza gótica irreverente na frente porém um calor envolvido por delicadeza na parte de trás.
É um privilégio ambas as referências existirem:
Como um todo, o conjunto da maison alemã faz a minha referência favorita. Não só me identifico bastante com a estética mas o encanto com o movimento é inegável. Não por isso o Patek não deixa de ser um relógio sublime, em particular nas versões rosé e de platina.
Ambos são belíssimos. Ambos são fantásticos ao acionar o pusher do cronógrafo. Ambos são concebidos para serem fantásticos. E são.
© 2026 Chronolab. Todos os direitos reservados.
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